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Sufoco em Berlim!

Como hoje é a comemoração pela queda do muro de Berlim e estive no muro há 3 dias atrás, resolvi escrever sobre como foram meus dias por lá.




Fui para Berlim de avião e cheguei no aeroporto Schönefeld por volta das 18h. Me informei sobre o transporte público, comprei o bilhete válido por 100 minutos corridos e lá fui eu seguindo as placas para pegar o trem.

Um parênteses antes de continuar: toda vez que viajo de avião aqui chego super cansada da viagem, pois como utilizo companhias low cost – já estou escrevendo um post sobre elas, em breve termino – é sempre tenso a dúvida se a mochila passa ou não passa no limite de tamanho estipulado, longas caminhadas com o peso nas costas, 3 casacos um por cima do outro, 2 calças e mil coisas no bolso. Então sempre chego querendo ver banho e cama.


Voltando à minha chegada, me dirigi até a estação de trem. No caminho vi uma senhora sozinha carregando uma mala grande de rodinha e tentando equilibrar uma outra mala pequena em cima, além de estar carregando uma bolsa. Percebi o quanto estava difícil para ela carregar e ofereci ajuda. Ela já abriu um sorriso e pediu para eu ir carregando a mala de rodinha menor que ela tentava em vão apoiar por cima da outra. Fomos conversando no caminho e ela me disse que era alemã mas morava em Dublin – estava chegando para visitar a filha- e falou que eu iria adorar a cidade.


Chegamos em uma máquina que vendia bilhetes de trem, ela agradeceu a ajuda, disse que dali iria sozinha após enfrentar a fila (eu já tinha comprado no aeroporto) pois já estava pertinho de onde era a estação. Fez questão que eu anotasse seu sobrenome de casada, seu nome completo, seu endereço em Dublin com indicações detalhadas como “em frente tem uma loja com portão azul” e seu telefone. Falou que quando eu for à Dublin é para eu visitá-la. Agradeci o convite, me despedi e fui pegar o trem.


Outro parênteses: hoje resolvi contar tudo com detalhes para vocês entenderem o quão cansada eu estava quando tudo aconteceu!


Voltando, subi a rampa para pegar o trem e estou eu lá esperando quando escuto três brasileiros conversando. Todos com mochila nas costas, puxei assunto para saber se estávamos indo para a mesma direção. Então em 10 minutos de conversa percebi que um deles fazia parte do mesmo grupo que eu faço no whatsapp. É um grupo de mochileiros brasileiros que estão aqui na Europa agora em novembro e ninguém se conhecia antes – a maioria ainda não se conhece pessoalmente -, e através de um fórum de viagens foi criado esse grupo para fazer amizade, trocar dicas, informações, talvez encontrar e tomar uma cerveja na Europa, enfim… um grupo que ninguém se conhecia e eis que por uma coincidência do destino eu encontro ali naquela estação um integrante do grupo que estava chegando de um destino diferente do meu. Mais coincidência ainda!




O trem chegou, entramos, sentamos e fomos conversando até:

a) o destino final

b) cada um ir para o lado que teria que seguir

c) a próxima estação


É, minha primeira viagem de trem na Alemanha não durou nem 2 minutos. Opção C. Antes de chegar na próxima estação um fiscal se aproximou e pediu os bilhetes. Apresentei meu bilhete normalmente e continuei conversando. Porém, eu deveria ter autenticado o bilhete assim que cheguei na estação, meus amigos, coisa que não fiz pois não sabia. E aí o fiscal pediu meu passaporte e me mandou descer na estação para autenticar o ticket. Ok, com o meu passaporte na mão dele, a primeira coisa que fiz foi sair do trem e segui-lo. Como era a primeira estação que eu estava parando, imaginei que o trem ficava parado ali pelo menos uns 2 minutos, tempo suficiente para o sujeito me ensinar a autenticar, me devolver o passaporte, me dar um sorriso e falar: “Bem vinda à Alemanha! Agora você já aprendeu como funciona nosso sistema!”


Só que isso tudo foi só na minha imaginação… Como achei que seria rápido, deixei a mochila com o computador e minha bolsa com câmera e dinheiro dentro do trem, junto com os brasileiros e fui atrás do fiscal com meu passaporte. Só que o fiscal simplesmente começou a me ameaçar falando que eu tinha cometido um crime por não ter autenticado o bilhete (achou que eu queria “dar o cano” porque os outros brasileiros – que tinham chegado antes de mim na estação – estavam com os bilhetes autenticados e estávamos juntos conversando. Quem nunca, né? Viu todo mundo junto, achou que éramos melhores amigos de infância e pronto, tomou como verdade absoluta e nem quis saber!) e que eu teria que pagar uma multa, e era melhor que eu pagasse logo pois se ele chamasse a polícia a situação iria piorar e no blá blá blá, o trem foi embora, com minha mochila dentro. Cai o pano.


Estou há mais de um mês com essa mochila, ela é tudo que tenho neste momento e tudo que eu tenho está dentro dela (poderia ser um verso mas não é). Na hora a minha reação quando vi o trem indo (mineiros, nesse caso realmente foi um trem sobre trilhos) foi só ajoelhar. Senti tanto nervoso e desespero por estar passando por aquela situação em um país que fala alemão e estar sendo INJUSTIÇADA, que desabei. Que todos vocês já fiquem sabendo logo de uma vez: a pior sensação do mundo pra mim é essa. Sua palavra não ter credibilidade, suas atitudes serem interpretadas da forma como a outra pessoa acha que é certo, apesar dela não saber da missa a metade sobre mim e ainda achar que pode me julgar. Mas para essas, vamos de beijinho no ombro, porque se tem outra coisa que detesto é me desgastar (como uma célebre frase que escutei em um ambiente de trabalho e virou bordão entre o pessoal: “não me desgasta não!!!”), sinto pena depois de passar o sentimento de raiva, que graças a Deus, não alimento dentro de mim.


Enfim, o fiscal viu meu desespero mas nem ligou, afinal na cabeça dele eu era best friend dos brasileiros e os três iriam descer na próxima estação e ficarem me esperando, só que, quando eu falei para o sujeito que eu só estava conversando pois eram brasileiros, que eu N-Ã-O estava junto com eles, o sujeito desesperou. Desesperou mas não deixou transparecer, só que eu senti na expressão dele. Ele entrou comigo no trem e disse que “com certeza os três estariam na próxima estação”, a prepotência foi tanta que ele ainda afirmou a atitude que os outros iriam tomar. Ah, tá! Nessa hora eu só pensava o que eu estava indo fazer na Alemanha.


(Depois tirei uma foto para alertar os desavisados como eu. Essa coluna da foto abaixo é onde se deve autenticar o ticket)


O desfecho:


Bom, eles não estavam na próxima estação e em nenhuma outra e eu acabei indo pro hostel sem nada - por sorte o celular com o nome do hostel estava na doleira comigo e não na mochila, de lá mandei mensagem para o brasileiro, peguei o endereço do hostel dele e fui buscar a mochila. Voltei para o hostel e acabei trocando a cama por tomar uma cerveja por lá mesmo porque depois de tanto stress essa era a melhor opção do dia. Queria ligar para a senhora alemã que mora em Dublin e contar o ocorrido mas com a confusão não sei onde coloquei o endereço que ela me deu, só sei que ela mora em frente à alguma loja com portão azul…


Como este texto está grande e você, caro leitor, já deve estar achando cansativo, outro dia eu te dou o motivo de por quê amar Berlim. Hoje vocês ficam só com essa parte e podem rir da desgraça alheia, pois esse é o melhor remédio. E eu também preciso dormir porque amanhã é dia de visitar o Vaticano durante a tarde – à noite já conheci.


E, comentem!!! É sempre bom ter feedbacks! :)





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